A relação do leitor com o Lecionário

A partir do Concílio Vaticano II, tomámos uma maior consciência de que

A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo.

Dei Verbum, n. 21

Daqui podemos tirar algumas perguntas para reflexão, em vista a um maior cuidado para com o Lecionário da Palavra de Deus, não só no que toca à sua disposição nas igrejas, como na relação do leitor para com ele:

  • Se o Sacrário está à vista de todos, com uma lâmpada a indicar a presença de Jesus, porque é que o Lecionário não está, também, colocado em lugar de destaque (perto da porta principal da igreja ou noutro lugar mais conveniente), de forma que, fora da Eucaristia, possamos contactar com a Palavra como pressuposto da oração (entendida, antes de tudo, como resposta à Palavra do Senhor)?
  • Será que poderemos descartar a preparação próxima do leitor, sem que ele tome contacto com o mesmo Lecionário a partir do qual irá proclamar a Palavra de Deus, procurando estar mais cedo na assembleia para o fazer?
  • Para quando a publicação da tradução litúrgica da Bíblia (tão prometida pela Associação Bíblica Portuguesa), de forma que os leitores a possam ter em casa como instrumento de preparação da proclamação da Palavra na Liturgia, a partir de uma leitura orante?

É desejável que os leitores sintam na sua aproximação frequente ao Lecionário como uma antecipação das maravilhas que o Senhor quer fazer passar por eles para a comunidade dos fiéis de modo que a força que dela emana jamais possa ficar escondida.