A relação do leitor com o Lecionário

A partir do Concílio Vaticano II, tomámos uma maior consciência de que

A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo.

Dei Verbum, n. 21

Daqui podemos tirar algumas perguntas para reflexão, em vista a um maior cuidado para com o Lecionário da Palavra de Deus, não só no que toca à sua disposição nas igrejas, como na relação do leitor para com ele:

  • Se o Sacrário está à vista de todos, com uma lâmpada a indicar a presença de Jesus, porque é que o Lecionário não está, também, colocado em lugar de destaque (perto da porta principal da igreja ou noutro lugar mais conveniente), de forma que, fora da Eucaristia, possamos contactar com a Palavra como pressuposto da oração (entendida, antes de tudo, como resposta à Palavra do Senhor)?
  • Será que poderemos descartar a preparação próxima do leitor, sem que ele tome contacto com o mesmo Lecionário a partir do qual irá proclamar a Palavra de Deus, procurando estar mais cedo na assembleia para o fazer?
  • Para quando a publicação da tradução litúrgica da Bíblia (tão prometida pela Associação Bíblica Portuguesa), de forma que os leitores a possam ter em casa como instrumento de preparação da proclamação da Palavra na Liturgia, a partir de uma leitura orante?

É desejável que os leitores sintam na sua aproximação frequente ao Lecionário como uma antecipação das maravilhas que o Senhor quer fazer passar por eles para a comunidade dos fiéis de modo que a força que dela emana jamais possa ficar escondida.

Anúncios

O Ministério de Leitor – A tríplice formação

A simplicidade e a autenticidade com que os leitores são chamados a exercer o Ministério de Leitor ganham-se com a experiência, fundamentada nas três dimensões da sua formação, a saber: bíblico-litúrgica, técnica e espiritual. De facto, é do tronco comum que todo o serviço se realiza na Igreja: a Sagrada Escritura que todos somos chamados a conhecer com a maior profundidade possível e gradualmente, assim como um claro conhecimento dos sinais que, desde a Transmisão da Fé celebrada, nos levam no contexto atual a participar no ato de santificação que Jesus Cristo realiza na Igreja. Já a preparação técnica forma o ser do leitor na sua perspetiva estética, para que à verdade do que celebramos corresponde uma determinada postura, na sua verdade de expressões estilísticas, evitando os excessos ou defeitos que possam distrair da verdade. A formação espiritual faz com que, na vida quotidiana, o leitor possa ser uma espécie de “ambão” onde os outros veem a correspondência com a Palavra proclamada, requerendo acompanhamento para uma coragem profética. Estas tríplice formação dos leitores define-se, pois, como a dimensão sincrónica da formação (simultaneidade que confere unidade).

Descarregue a folha do Encontro 1